O doce sabor do proibido

Não sei qual a pior parte de um sonho, se é acordar dele, ou não conseguir voltar a sonhar quando o sonho é bom, mas de vez enquanto acontece algo estranho, me deparo dormindo e envolto em um sonho que tem um tom a mais de realidade, então ai que a mágica acontece, eu sei que estou sonhando, como eu sei? Não faço a menor ideia, só sei, houve um tempo que ao encaixar partes de realidade em um “sonho nítido” (assim que eu costumava chama-los) eu conseguia até mesmo modifica-lo e observar uma janela para o óbvio, por que o óbvio? Por que estranhamente essa janela me mostrava algo que ainda iria acontecer, e eu acordava em meio a confusão mental me perguntando se ainda dormia ou se ainda sonhava, ou se aquilo tinha sido apenas um sonho, devaneios a parte vamos ao que interessa, e não estou falando de espiar a “janela do óbvio”, refiro-me ao sonho nítido, aquele que facilmente confunde nossa mente e nos impede de perceber que estamos sonhando, e por que ele é tão nítido? Simplesmente pelo fato de o mesmo nos permitir alterar alguma decisão, nós somos o motor chefe desse sonho, e isso é simplesmente fascinante.
Então em um final de tarde qualquer, uma boa e velha quarta-feira, sem saber direito como eu tinha chegado ali, estávamos ali, no estacionamento, dentro de um carro que não me apeguei em qual carro seria, bom, não era um seda, mas que diferença isso faz, bem, já percebeu que as pessoas nos sonhos não têm rosto? Bom, provavelmente você não vai se perguntar isso enquanto estiver sonhando, mas façamos de conta que você vai procurar prestar atenção nisso...
Mãos trêmulas, dentro do carro, eu estava no banco do carona, não que eu não goste de dirigir ou não saiba, talvez, o carro fosse dela, e ela gostasse de dirigir o próprio carro, olhávamos para o portão do centro olímpico, não se pode entrar de carro lá, pelo menos eu nunca pude, sempre deixava a moto do lado de fora, pegava as coisas na mochila e descia pra correr ou treinar uns arremessos, mas isso ai já é realidade, então, olhamos um para o outro, nada precisava ser dito, os olhares se completavam com a vontade incessante de completar algo mais, saímos do carro, as portas bateram, o alarme fez um sinal que significava que o carro estava travado, e escutei o som das portas travando, não olhei pra traz, fiz como nos filmes de ação, onde o fundo explode e o herói anda em direção a câmera em "slow motion", quem nunca? Passando-se o sentimento de “duro de matar” nos aproximamos do portão, como de costume, cumprimentei os seguranças do centro olímpico, sempre ficam dois no portão “papeando”, boa noite, bem, parecia passar das 19 no horário de verão não é bem noite, mas é assim que é pra ser, certo?
Estávamos próximos, eu carregava uma bolsa esportiva, afinal de contas, tem que se ter um motivo para se estar ali, e eu não daria esse mole, eu não tinha esquecido de absolutamente nada, inclusive, meu colchonete de yoga estava na bolsa, antes que pergunte, não, eu não faço yoga, mas você entendeu exatamente por que eu preciso de um desses...
Descemos e passamos pelos blocos de sala e fomos rumo a pista de corrida, demos uma boa olhada no sol que se punha sobre as grades que cercam todo o território do centro olímpico, parecia vazio, mas não estava perfeito, então decidimos ir para a área mais abaixo, onde ficam os caiaques, um casebre que normalmente fica trancado, guardando os caiaques de fibra, e mais abaixo, é claro, o lago do Paranoá, um deck de concreto leva da terra até a água, estirei o colchonete no deck e deixei a bolsa, tirei o tênis, já estava escurecendo e ela ainda sem dizer uma palavra, apenas esperava que eu tomasse cada atitude, mas mesmo assim fazia uma expressão de vergonha, olhando para baixo, o que me permitia olhar para sua boca, os cabelos teimavam em esconder parte do rosto, o que diga-se de passagem, da um tom sexy e meigo ao jeito de jovem indefesa a qual lhe fazia referencia, sentamos e contemplamos por um momento aquela imensidão de água que mansamente balançava para um lado e para o outro fazendo pequenas ondas, e é claro, que peguei uma pedra e arremessei lateralmente fazendo com que a mesma saltasse sobre a água pelo menos duas ou três vezes antes de afundar, sabe aquele momento do silencio profundo? Então, olha ele ai de novo.
Ela não se moveu, então tive que me aproximar, com os dedos, ajeitei o cabelo sobre a orelha dela pra poder enxergar seu rosto ela me olhou, com aqueles olhos famintos de algo mais, ela deu uma pequena mordida nos lábios como se os preparassem para o que estava por vir, tento não ir com muita  “sede ao pote” busco uma aproximação suave e ao mesmo tempo agressiva, puxei-a pelo braço que não estava apoiado ficávamos próximos novamente, respiração ofegante, um suspiro profundo e la estávamos nós, as línguas pareciam se encontrar em perfeita harmonia, uma sabia exatamente onde a outra ia e onde deveria estar no momento certo, morder? Uma palavra, quilofagia. Como resistir?
A lua agora parecia clarear mais do que o normal, creio que pela total ausência de luz artificial, até as estrelas pareciam estar produzindo parte da luz que nos cercava, seu cabelo preto e longo parecia vivo, como se tivesse luz própria, tentei controla-lo então, entrelacei os dedos nos cabelos dela e procurei a maior quantidade possível, fiz um movimento enrolando-o em minha mão e puxei para baixo, a cabeça dela se curvava para trás fazendo com que seu pescoço ficasse amostra, morder? Sim, claro, ou com certeza? Exatamente, morder, roçar a barba, fazer-se presente, nada mais prazeroso que fazer-se presente.
O escuro e a falta de publico ali me permitiu ousar um pouco mais, ir alem, minhas mãos pareciam ter vontade própria, tão quanto minha vontade iria, ela iria junto, iria alem, passeavam sobre seu corpo quente, mas havia muito ali atrapalhando, busquei livrar-me do que nos atrapalhava, tirei minha camisa enquanto a beijava, então meu peitoral já estava disponível para que ela pudesse avalia-lo, e foi isso que ela fez, com suas mãos passeando sobre o meu corpo, senti-a estacionar a mão esquerda sobre o meu peito, ela cravou as unhas e soltou um gemido como quem diz: hum...
Naquele momento as mãos tinham a visão muito superior a dos nossos olhos, até mesmo por que eles estavam fechados, ajeitei-me e segurei em seu pescoço e em suas costas para deita-la, ela fez um movimento rápido e retirou a camiseta, ainda faltava muito o que fazer, uma imensidão de tempo no qual não nos preocupávamos em nos perder, ajudei-a a tirar a calça jeans, e não pude deixar de reparar, que par de pernas eram aqueles! Deitei por cima dela e senti que ela havia desafivelado meu cinto e agora tentava abrir o botão da calça, a ajudei é claro, não queria perder mais tempo, a partir dali o natural, o instinto faria o resto, mas sem perder o foco da situação, desabotoei o grampo duplo do sutiã, meu santo pai do céu, por que as mulheres usam feixe duplo, ou triplo? Por que elas não usam aquele feixe na frente? Revirei os olhos ao pensar nisso, mas ainda bem que havia treinado para essa situação praticamente inevitável.
Não podia deixar de reparar, claro que tinha que tatear minha nova descoberta, usar as mãos? Claro que não! Minhas mãos são ásperas, prefiro usa-las para segurar os braços e me dar mais liberdade para explorar mais, naquele dado momento que me curvei para “tatear” seus seios com a língua, quase que em um movimento único, senti a primeira penetração, finalmente éramos um só, ela soltou um gemido fino e curvou a cabeça para trás, ofegante ela curvava o corpo, senti meu corpo ser envolvido por suas pernas que cruzadas impossibilitava que eu me soltasse, (não que eu quisesse sair dali), me puxou e curvou mais a cabeça olhei na sombra que se formava pela silhueta de nossos corpos entregues, movimentos suaves, fortes, gemidos, suor, calor, e silencio.

Ouvi um barulho, estava ajoelhado, deitei sobre seu corpo nu e abracei sua cabeça utilizando a mão esquerda para segurar sua boca, para que ela não gritasse, ela abriu os olhos como se perguntasse, o que houve? Eu fiz o gesto com o dedo indicador próximo a minha boca pedindo silencio e continuei com o movimento, agora mais lento, mais profundo, o que a cada movimento a fazia revirar os olhos como se procurasse dentro de si, um motivo para manter o silencio, um motivo que fosse maior do que toda aquela situação, mas o gemido não saia da boca, mesmo com a boca fechada pela minha mão, ainda era possível emitir o gemido que nos denunciava, um foco de lanterna passou sobre nossas cabeças, mas como o mato estava alto, não foi possível ver nada (creio eu), uma voz resmungou algo e se afastou, acho que eram os seguranças, então se foram e continuamos...

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