Situações Corriqueiras

Um dia daqueles, transito pesado, correria, o calor que começava a diminuir, agora dava lugar a um vento frio da noite que se aproximava, ao chegar no portão da faculdade o encontrou fechado por um carro que entrava, com um sinal de luz alta no farol, demonstrou interesse na passagem, adentrou na faculdade e estacionou a moto como de costume.
Desceu da moto, tirou o capacete e contemplou o espaço em volta por alguns segundos, não havia ninguém além do vigilante que abria as salas, cumprimentou-o, com um agradável “boa noite, mestre!” dirigiu-se ao banheiro com a intenção de tornar-se novamente um ser visualmente agradável,
Lavou o rosto e pensou no dia que tinha tido até ali, arrumou o cabelo como pode, tirou a jaqueta e a guardou na mochila, esperou alguns instantes para poder entrar na sala, caminhou pelo bloco de salas, tudo aceso, as pessoas iam e vinham, as vozes se confundiam em um feixe de sons irreconhecível, abriu a porta, sentiu o vento gelado do ar condicionado, sentiu a porta fechando atrás dele, se dirigiu a cadeira que lhe parecia estar no fluxo do ar condicionado, descansou a cabeça sobre os braços e cochilou um pouco, havia tido um dia comum, todavia cansativo.
                Acordou com um susto quando a bolsa de uma moça que passava ao seu lado bateu em seu ombro, não olhou quem era, ela também não pediu desculpas, mas isso não o incomodou, o professor entrou na sala, e emitiu um caloroso boa noite para a turma, mas foi recebido pelas conversas paralelas dos alunos que agora pareciam lhe incomodar mais que de costume, levou alguns instantes para acostumar-se com a luz e percebeu que a porta se abria, alguém que reconhecera como um funcionário da  coordenação buscou-o por toda a sala buscando dentre os alunos mas não o encontrou de imediato então chamou seu nome.
                Quase que como um susto respondeu, “meu nome!”
- você pode comparecer na sala da diretoria por favor?
                O coração disparou, estava nervoso, não sabia o que tinha acontecido, mil coisas se passavam na cabeça naquele momento, apenas foi...
                Ao chegar foi descobrindo as salas e adentrando em portas que até então nunca tinha entrado, chegou na única sala que não tinha identificação, talvez fosse proposital ele pensou, “pode se sentar”, uma voz de mulher, que de fato lhe parecia familiar, sentou-se e logo sentiu as mãos dela vendando-o, um breve susto, segurou as mãos e sentiu uma respiração breve e calorosa em seu pescoço logo abaixo do ouvido que disse quase que suspirando: -“relaxe e não abra os olhos...”, sentiu a cadeira se virando e permaneceu com os olhos fechados, sentiu que ela utilizava um fino tecido sobre seus olhos, que posteriormente perceberia ser vermelho, um lenço talvez, agora quase que totalmente privado de sua visão sentiu-se com o tato mais aguçado, agora eram os botões da camisa que se abriam e acompanhado do movimento que fazia as mãos daquela que explorava seu corpo, sentiu os lábios macios mordendo seu peitoral.
                Ela se sentou sem seu colo e ele a tentou segurar, mesmo que para reconhecer o personagem daquela inesperada situação, sentiu uma mordida no pescoço, o zíper, uma ajeitada na calça para baixo, ela estava de vestido, podia sentir a pele macia das pernas dela em suas mãos, um movimento acertado, sentiu que agora a intimidade dos dois era tocada de forma quase que completa.
                Ela louca de vontade já se encontrava com uma lubrificação quase que indescritível, não precisou de muito esforço para que os dois se tornassem um só, “hum...” um caloroso gemido, seguido quase que instantaneamente de um suspiro que dizia, “que delicia...”, as mãos agora pareciam incontroláveis, lembrou-se da mesa que havia a frente, levantou-se e segurando-a com as mãos, a direcionou para a mesa, agora tinha o apoio que precisava, os movimentos rápidos faziam com que canetas caíssem da mesa, que loucura! Indagou ainda sem acreditar, tirou a venda, precisava ter certeza, sorriu, de fato era ela, mordeu os lábios e prosseguiu, tinha pouco tempo, precisavam terminar, antes que alguém batesse a porta, virou-a e agora podia contemplar o que tanto o chamava atenção, concentrou-se, sentiu-se em paz por alguns segundos, leve, despreocupado, e quando voltou a si, percebeu que ela já ajeitava o vestido, ela parecia saber exatamente o que fazer naquela situação, atentou-se para a porta, e se ajeitou da melhor forma possível, enquanto saia puxou um papel em branco que estava sobre a mesa, afinal de contas teria que ter um motivo para ter estado ali, um documento talvez? dobrou o papel e abriu a porta, tudo certo então? ele perguntou, – sim, pode ir... se olharam como se nada tivesse acontecido, enquanto a secretaria entrava na sala trazendo alguns documentos para serem assinados, ele agora tentava exprimir normalidade, na medida do possível é claro, ninguém podia desconfiar de nada, voltou para a sala, mas antes passou no banheiro e lavou o rosto, respirou e indagou novamente em seus pensamentos: "que loucura!" voltou a sala, ao entrar o professor perguntou se estava tudo bem, e ele respondeu, é… mais ou menos… sempre tem algo pra resolver não é mesmo? voltou e sentou-se em seu lugar, ajeitou a mochila e recostou-se, dali em diante, nada mais lembra da aula, só conseguia pensar naquela loucura de situação que acabara de acontecer e manteve um leve sorriso de canto de boca…

Comentários

Postagens mais visitadas